26/11/2008

Vai ser lançado, no próximo dia 4 de Dezembro, pelas 18:30 horas, nas novas instalações da Confluência Associação Cultural, na Fortaleza de Cascais, junto do Clube de Vela, o quarto romance do escritor Luís Costa Pires.

A obra, denominada “Ao teu lado”, é publicada pela editora Nova Vega e sucede aos anteriores romances do autor “A Rainha de Copas”, “Depois da Noite” e “Mandrágora”, e à peça de teatro “A Desconstrução da Alma”, que foi levada ao palco com o nome “Acorda-me”, pela Companhia da Esquina, com encenação do argentino Cláudio Hochman.

A apresentação da obra, que já pode ser entretanto encontrada nas livrarias de todo o País, ficará a cargo de Maria Helena Torrado e Ricardo Carriço, sendo seguida da interpretação de alguns temas musicais com letra de Luís Costa Pires por parte da cantora Deolinda Bernardo.
Depois de cinco anos de ausência das lides literárias, tempo em que se dedicou ao jornalismo, assessoria de comunicação, fotografia e guionismo, Luís Costa Pires regressa com um romance bastante diferente dos anteriores, ao escrever uma história de amor com um final surpreendente e e com influências das suas leituras das obras Shakespeareanas. Numa narrativa algo poética e de ritmo rápido e intenso, “Ao teu lado” conta a história de um escritor de sucesso, casado e com uma vida estável que, surpreendentemente, se vê a braços com uma paixão inesperada e com uma decisão difícil de tomar. O enredo dará lugar a um desfecho surpreendente, que nos dá uma das mais sublimes lições de amor, e a uma série de cartas de amor enviadas pelo personagem, que farão relembrar certamente uma tradição que já não existe nos dias que correm.
Este livro comprova o talento e a versatilidade do autor que, entre outras distinções, foi galardoado com o prémio “Prosas de Estreia” pelo seu romance “A Rainha de Copas”.

Mini-Biografia

Luís Costa Pires nasceu em Moçambique, no ano de 1976. Em 1977, viajou para Portugal, onde vive desde então, nas Caldas da Rainha. Estudou Gestão de Empresas, mas dedica-se profissionalmente ao jornalismo e à escrita.
Publicou o primeiro romance em 1998, com o título “A Rainha de Copas” (em segunda edição), vencendo o prémio "Prosas de Estreia". No ano 2000, publicou “Depois da Noite” e em 2002, lançou o seu terceiro romance, “Mandrágora”. Em 2003, é publicado um livro com duas peças de teatro denominado “A Desconstrução da Alma”
Trabalha actualmente como free lancer na assessoria de comunicação e imprensa e guionista de cinema e TV.
Foi Assessor de Comunicação da Câmara de Peniche e director da revista “Mais Zoom”. Foi jornalista em títulos como The Portuguese Post (Canadá), In Motion (Alemanha), Jornal de Leiria, Jornal das Caldas, Oeste Online, Tribuna do Oeste e Região de Cister, escrevendo também crónicas para a Fábrica de Conteúdos, Gazeta das Caldas, Notícias da Amadora e para as revistas DIF e 365.
Em 1998 foi condecorado com uma medalha do Município das Caldas da Rainha, pelo contributo dado à cultura no concelho.
Tem um blogue no endereço www.depoisdanoite.blogspot.com e uma página oficial em www.myspace.com/luiscostapires


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Regresso ao Blogue e à Literatura

Estou de regresso ao blogue após algumas semanas de muito trabalho, onde trabalhei quase sem parar em guiões para um filme e uma série de televisão, bem como uma série de outros projectos.

Estou de regresso também ao mundo da literatura, após terem passado cinco anos desde o meu último livro publicado, uma peça de teatro chamada "A Desconstrução da Alma", e seis anos depois do meu último romance publicado, "Mandrágora".

Já está nas bancas de todo o País o meu novo romance chamado "Ao teu lado", com a chancela da Nova Vega, com quem tive o prazer de assinar um contrato para três livros. Os próximos já estão começados e bem avançados e é com muito que gosto que vejo a dedicação que a equipa da Nova Vega e o seu editor, o Dr. Assírio Bacelar, um homem que muito fez pela cultura deste País, estão a dedicar aos meus trabalhos.

O lançamento oficial vai ter lugar no dia 4 de Dezembro, pelas 18:30 horas, nas novas instalações da Confluência Associação Cultural, na Fortaleza de Cascais, junto ao Clube Naval, com apresentação da obra a cargo da escritora Maria Helena Torrado e do actor Ricardo Carriço.

Estão todos convidados para aparecer.

Depois seguir-se-ão, ainda com datas por agendar, Caldas da Rainha, Nazaré, Leiria, Cartaxo, Porto e Faro.

No próximo post publicarei a nota de imprensa oficial sobre a apresentação do livro, onde se fala um pouco do seu conteúdo.

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08/06/2008

Obama, McCain e a fuga para Marte

Hillary Clinton abandonou a campanha e anunciou todo o seu apoio a Barack Obama, depois de, recentemente, terem participado ambos numa reunião privada. Nesta reunião Obama terá certamente prometido um lugar de destaque no próximo governo à ex-primeira-dama americana e esta, vendo a derrota aproximar-se, terá resolvido aceitar.

Esta é uma excelente notícia até porque, em determinados momentos da campanha, cheguei a temer que os americanos dessem um voto de confiança a Hillary. Mas, felizmente, será Obama a defrontar o decrépito republicano John McCain nas eleições para presidente americano e, certamente, sairá vitorioso. McCain não tem nem o carisma nem o vigor para esgrimir argumentos com o jovem, reformador e moralizado Obama. Aliás, basta olhar para um dos últimos discursos de McCain onde fala da necessidade de investir cada vez mais nos projectos espaciais da NASA, para que, daqui a 30 anos, o Homem possa aterrar em Marte.

Não sei se é falta de visão estratégica minha, mas parece-me que, apesar da colonização espacial ser um tema muito interessante, há coisas mais importantes para tratar neste momento, como tentar arranjar alternativas quanto às energias, nomeadamente o petróleo, garantir a segurança das nações, recuperar o degradado estado ambiental do planeta, combater a pobreza e o analfabetismo funcional, entre muitas outras.

Ou será que McCain já desistiu simplesmente do planeta Terra e acha melhor investirmos em formas da população terrestre sair daqui e tentar tudo de novo noutro planeta diferente?

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04/06/2008

Livro com dedicatória especial

A minha amizade com o poeta Paulo Ferreira Borges tem uma história curiosa. Conhecemo-nos há coisa de oito anos, numa altura em que eu trabalhava num jornal regional e era responsável pela área cultural da publicação. Na ocasião, o Paulo Ferreira Borges acabava de vencer o Grande Prémio de Revelação em Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com o livro "Para tentear a desmesura" (Difel 2002) e eu entrevistei-o. A amizade gerou-se imediatamente, com muitas conversas sobre livros e sobre a vida em geral onde ele, com o seu eterno ar de "misticismo realista" (ele vai rir quando ler isto) me levou também a perceber um pouco mais de poesia.

Acompanhei por isso, com imensa alegria, ainda nesse mesmo ano, a publicação do seu segundo livro, maravilhoso, "A água materna dos poentes" (Hugin 2002), que também foi premiado, desta vez com o Prémio Fernando Pessoa.

Depois, colaborámos num projecto muito interessante. A convite do então vereador da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Jorge Mangorrinha, iniciámos a escrita de uma novela chamada "A Praça dos Artistas", passada na cidade termal, mas numa praça imaginária, onde os personagens representam figuras tipo da história caldense. A novela foi publicada em capítulos num boletim cultural da autarquia, com cada um de nós a escrever um capítulo intercaladamente e sem falarmos um com o outro sobre o assunto para a surpresa sobre o enredo ser absoluta.

Seguiram-se três anos de silêncio. De escrita, claro, pois várias foram as vezes em que nos encontrámos e trocámos impressões, embora na verdade não tantas como dantes. Mas agora os projectos voltam em grande. O Paulo Ferreira Borges, que terá brevemente uma série de novidades, acabou de editar mais um livro, este agora numa edição mais caseira, mas que terá em breve uma nova roupagem. Trata-se do livro de poesia "Do Tempo Sitiado - geopoemas s/d", publicado pela Textiverso.

É um livro que me levanta muitas memórias pois lembro-me de ter lido muitos dos poemas antes de serem publicados, ainda escritos a esferográfica. O Paulo dava-mos a ler nos nossos cafés ao final da tarde ou início de noite, enquanto eu lhe mostrava alguns esboços dos meus trabalhos de ficção. E, como se não bastasse a alegria de ver este novo livro nascer e de reconhecer alguns dos versos, o Paulo Ferreira Borges honrou-me ao dedicar um dos poemas do livro, chamado "Penar Baji", lembrando as nossas grandes conversas sobre o destino e o divino.

Deixo aqui, emocionado, o poema. Brevemente colocarei outros poemas do mesmo autor. E poderão perceber a razão do Paulo Ferreira Borges ter ganho dois prémios tão importantes com os dois primeiros livros que publicou.

Penar Baji

Investiga-me a sorte, lê-me
a sina, como se estivesse manus-
crita no papiro das sacradas
escravaturas ou no pergaminho
de um novo fundamento. Murmura,
podes murmurar o ensalmo certo,
o canto de um cometa que saiba tudo
de mim, distantemente de mim.
Desborda-me a vida, como faz o dique
para descrever no pó a viagem seminal
das irrigações. Ouvirei a tua ciência
maldita, bebida no cálice dos loucos
e dos visionários. Depois, devolve-me
a mão, o que nela se prescreve, e parte,
dissolve-te no crepúsculo, com ar
de bajibaora a rogar-me uma praga
de sorrisos. Saber-se-à
nessa tua ciência oriunda dos astros,
que numa noite, numa só noite,
o vento apaga todos os vestígios?

Caldas da Rainha, Pastelaria Machado, s/d

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Dois prémios de teatro

Fiquei orgulhoso ao tomar conhecimento do grande feito do meu caríssimo amigo Bruno Schiappa, actor, encenador e dramaturgo (e tenho que acrescentar apreciador de Monty Python e outras comédias brilhantes, o que nos anima sempre nos jantares em que convivemos).

Acontece que o Bruno ganhou dois galardões na atribuição dos prémios do público do Guia do Teatro 2007. Numa cerimónia apresentada por Vítor de Sousa e Cátia Garcia, Bruno Schiappa venceu os prémios das categorias de Melhor actor num Papel Secundário e Melhor Espectáculo Solo, pela sua participação nas peças "Presos no Gelo" e "Imortal".

O Bruno Schiappa está por isso de parabéns e espero ansiosamente por poder vê-lo em novos projectos. Para já, aconselho todos os leitores do blog a não perderem os espectáculos da autoria deste homens dos sete ofícios, que também dá aulas no Chapitô e que tem uma mente criativa prodigiosa e provocadora.

Mas, como o Bruno não foi o único premiado nesta cerimónia, deixo aqui a lista completa dos galardões atribuídos, lista essa retirada do Notícias da Manhã:

Melhor Coreografia: Amélia Bentes, em «Cabeças no Ar» | 2 – Melhor Cenografia: José Manuel Castanheira, em «A Filha Rebelde» | 3 – Melhores Figurinos: Storytailors, em «Ricardo II» | 4 – Melhor Desenho Luz: Filipe La Féria e João Fontes, em «Jesus Cristo Superstar» | 5 – Melhor Musica Original: Fernando Mota, em «Por Trás dos Montes» (não esteve presente) | 6 – Melhor Direcção Musical: Telmo Lopes, em «Música no Coração» | 7 – Melhor Sala de Teatro: Maria Matos Teatro Municipal (recebe o prémio uma representante do teatro) | 8 – Melhor actriz num Papel Secundário: Beatriz Batarda, em «quando o Inverno Chegar» | 9 - Melhor actor num Papel Secundário e Melhor Espectáculo Solo: Bruno Schiappa, em «Presos no Gelo» | 10 – Melhor Tradução: «Sweeney Todd – O terrível barbeiro de Fleet Street» | 11 – Melhor Actor: Simão Rubim, em «As Vampiras Lésbicas do Sodoma» | 12 – Melhor Actriz: Maria João Luis | 13 – Prémio Make Up For Ever Melhor Actor Revelação: Hugo Rendas, em «Jesus Cristo Superstar», «Principezinho» e «Música no Coração» | 14 – Melhor Elenco Conjunto: Teatro Praga, em «O Avarento ou a Última Festa» | 15 – Melhor Espectáculo Infantil: Fernando Gomes, em «O barbeiro de Sevilha» | 16 – Melhor Texto Original Português: «A Minha Mulher», de José Maria Vieira Mendes (não esteve presente) | 17 – Melhor Musical: «Musica no Coração», de Filipe La Féria | 18 – Melhor Encenador: Luís Miguel Cintra, em «Tragédias de Júlio César» | 19 – Melhor Peça: «As Vampiras Lésbicas do Sodoma», de Juvenal Garcês

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25/05/2008

Encontro com Nuno Júdice

Participei num encontro organizado por alunos do Colégio Rainha Dona Leonor, nas Caldas da Rainha, para o qual foi convidado Nuno Júdice. Já tinha tido a oportunidade de estar com ele em Leiria, durante o II Encontro de Escritores da Língua Portuguesa, embora colocados em debates diferentes. Desta vez, coube-me a sorte de o apresentar e conduzir uma pequena entrevista, com a ajuda do meu amigo Rui Calisto, perante os olhares atentos dos alunos.

Aliás, uma das observações mais interessantes que faço deste encontro é precisamente a atenção demonstrada por aquele grupo de jovens, cujas idades variavam entre os 15 e os 17 anos. Paesar dos jovens estarem afastados da leitura, são sessões como esta que podem ajudar a haver uma reaproximação às palavras e ao universo da literatura, com tudo o que tem de mágico, libertador e fascinante.

Confesso-me fã da poesia de Nuno Júdice, pois a sua escrita é extremamente sensorial, não embarcando em excessos de sentimentalismo e olhando para os pequenos pormenores da existência, da vida quotidiana e das pessoas com um olhar atento e racional, mas que nem por isso deixa de ser extremamente melódico e poético.

Apresentar um autor da dimensão de Nuno Júdice é sempre um desafio. No meio da apresentação da sua obra, atrevi-me a contar aos alunos que, quando leio a sua poesia, tenho sempre a sensação de ver o poeta sentado no meio de um turbilhão de pessoas e acontecimentos, atento, olhando em redor, tomando notas e reparando nos pormenores, nos valores e nos sentimentos a que, muitas vezes, não damos atenção, mas que fazem parte de todos nós. Nuno Júdice acabaria por concordar com esta imagem, admitindo que isso acontece muitas vezes, que frequentemente se encontra a observar o que há em redor com esse olhar felino e atento.

Depois da apresentação, foi a vez da pequena entrevista, onde Nuno Júdice explicou aos alunos como é que escreve um poema, salientando que não acredita na “pura inspiração, mas sim no trabalho, dia após dia”. Contou diversas histórias do seu passado literário e comentou o estado actual da poesia e da literatura portuguesa, negando que a poesia seja mal tratada pelos leitores em Portugal, já que, em outros países como França ou Itália, com muitos mais leitores, se vende menos poesia do que em Portugal.

Obviamente que não resisti e pedi-lhe que lesse em voz alta o belíssimo "Pedro Lembrando Inês" (publicarei no próximo post para quem não o conhece), ao que ele acedeu, causando comoção nos presentes. No final, ainda leu um poema do seu novo livro que, brevemente, irei postar aqui.

Destaco ainda que, já que a pintura é uma das suas paixões, Nuno Júdice tem um blogue onde cria poemas a partir de quadros. Esse blogue pode ser visitado aqui.

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24/05/2008

A Rosacruz e Portugal

No dia 17 de Maio desloquei-me até ao Bombarral onde, numa nova livraria chamada "Caneta Azul", cumpri a minha missão de apresentar o livro "A Rosacruz e Portugal", do meu caro amigo Delmar Domingos de Carvalho, autor de inúmeras obras de investigação e ensaios. Esta foi a segunda apresentação do livro, que foi lançado oficialmente numa outra cerimónia a que também assisti e que teve lugar no Convento de Cristo, local bastante focado no próprio livro pela sua temática templária.

Não sou, de facto, um estudioso profundo do tema Rosacruz, mas as minhas leituras em áreas que o tocam, como o estudo das religiões, do esoterismo, da história, do templarismo, etc, levaram o Delmar a fazer-me este convite que muito me honrou, até porque foi já a segunda vez que apresentei um livro seu, depois de "A Flor da Esperança" (Hugin Editores), há uns valentes anos atrás.

Quanto ao livro, aconselho claro que o leiam. Fala de uma forma leve e não demasiadamente profunda, para que os leigos da matéria possam perceber o que lá está escrita, das relações entre a filosofia da escola de pensamento Rosacruz e a história de Portugal, a forma como esta terá influenciado alguns dos nossos grandes vultos culturais, sociais e políticos, e também de que forma está presente nos nossos monumentos.

Mas, acima de tudo, é um livro que fala de valores universais que se vão perdendo com o tempo. Os tais valores que, segundo a teoria do Quinto Império, irão ajudar a criar um dia esse reino de paz, harmonia e cultura que apregoaram o Padre António Vieira, Bandarra, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

Um tema a estudar, sem dúvida. A bem de cada um de nós e do mundo.

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22/05/2008

Coisas de que gosto (II)

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu , que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: « Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor;
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice
Pedro, lembrando Inês

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21/05/2008

Um mês sem internet

Uma mudança de casa levou-me a ficar sem internet durante quase trinta dias. Os senhores do MEO garantiram-me que instalavam o sistema em menos de dez, mas parece que as adesões têm sido muitas e a coisa atrasou-se. Ou então foi o Ricardo Araújo Pereira que não quis largar o comando...

De qualquer forma, o serviço é fantástico. Acho que é a primeira vez que encontro um produto cujas qualidades ultrapassam a publicidade que se faz na televisão.

E agora, depois das mudanças e com tudo instalado, o regresso ao ritmo normal e aos posts.

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20/05/2008

WOK no novo Centro Cultural

Foi inaugurado, no dia 15 de Maio, na minha cidade de Caldas da Rainha, o Centro Cultural e de Congressos. Trata-se de uma mega infraestrutura cultural constituída por um grande auditório com 660 lugares, um pequeno com 100, uma excelente sala de exposições, um café concerto e um espaço envolvente muito agradável. É uma estrutura que já fazia muita falta à cidade das Caldas da Rainha, nos últimos anos injustamente apelidada de "Cidade da Cultura". Agora poderá voltar a ter direito a esse título, pois este grande Centro Cultural está ao nível de qualquer sala de espectáculos de Lisboa ou Porto.

Depois da inauguração oficial e dos discursos, com a presença do Senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, assisti ao concerto de inauguração, com António Pinho Vargas a brindar os presentes, engravatados e sorridentes, com um belíssimo momento ao piano.

Mas foi à noite que me encantei verdadeiramente, ao assistir ao espectáculo de percussão "Wok - Ritmo Avassalador", dos Tocarufar. Trata-se de um espectáculo na verdadeira acepção da palavra. Com os seus trajes tribais e maquilhagem de pasmar, os incríveis intérpretes dançam e criam música com tambores e os seus próprios corpos, contando uma história curiosa e cheia de humor, intensidade e interacção com o público, que sai da sala a saber tocar parte de um dos temas do espectáculo.

Um espectáculo a não perder.

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22/04/2008

De mal a pior

Manuela Ferreira Leite, a arrogante e desagradável ex-Ministra das Finanças, é a nova candidata à liderança do PSD. Irá, provavelmente, ganhar as eleições internas do partido, uma vez que Menezes já gastou todo o pouco combustível que o permitiu chegar ao topo do partido, e que é uma das históricas da organização, com o apoio dos barões silenciosos que não avançam, mas minam tudo em redor.

De qualquer forma, é impressão minha, ou o PSD vai de mal a pior? Depois do populista e inconsequente Menezes, a liderança do partido passa para uma das figuras mais antipáticas e mal amadas da história moderna de Portugal?

Mas é claro que há a sempre a hipótese de se ver ressuscitar o velho trauma português do tempo da "Velha Senhora" e que Portugal prefira outra vez um líder austero, cinzento, antipático e sem ideias de modernidade. É um perigo real: nunca se sabe quando um trauma regressa à superfície.

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A nova "Ler"

Francisco José Viegas, jornalista e escritor que muito estimo, vencedor recente do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, é o novo director da revista "Ler", que irá sofrer algumas alterações significativas. . Segundo Francisco José Viegas, a revista vai passar a ser uma revista de livros e não de literatura, abarcando todas as áreas da edição, desde a literatura, claro está, aos livros de viagem, fotografia, gastronomia, etc, enfim, abarcando toda uma área de edição que necessita urgentemente de ganhar popularidade junto dos portugueses.

Parece-me bem que haja uma revista mais acessível à maior parte dos portugueses do que os projectos demasiado elitistas que vão aparecendo de vez em quando. Esse tem sido um dos grandes problemas para a falta de leitores em Portugal. Se existe um fosso grande entre aqueles que são considerados especialistas em literatura e o comum português que só gosta de ver telenovelas, então a forma de equilibrar as coisas e incentivar o gosto pela leitura (que é tão importante no formar do carácter e dos ideais de qualquer pessoa) não pode ser nunca aumentar o fosso, mas sim criar um meio termo, uma ponte que permita que os interessados se aproximem.

Aliás, por muito que não goste dos trabalhos de uma série de autores, como Margarida Rebelo Pinto ou Paulo Coelho, por exemplo, não posso deixar de lhes dar esse mérito de levarem pessoas para perto dos livros. Sei que imediatamente os académicos dirão que ler esses livros nada acrescenta de cultura ou erudição, que são meras estórias para passar o tempo. Sem dúvida. Mas permitem uma proximidade ao "objecto livro" que deixa de ser um estranho. E, além disso, num país de analfabetismo funcional elevado, podem ajudar a entender expressões, palavras e a construção gramatical de uma língua que tem estado em tanta ebulição com toda esta questão do acordo ortográfico.

É bom saber que teremos uma "Ler" mais abrangente, com artigos de fundo interessantes (uma entrevista com Lobo Antunes no primeiro novo número), com espaço para os académicos, mas também para aqueles que, gostando de livros, não precisam necessariamente de saber citar Montesquieu ou conhecer todos os pormenores sobre a "Cartuxa de Parma".

É que, se é verdade que ler ajuda a formar consciências e abrir caminhos, nada há de mais democrático do que o acto de ler.

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Matem, mas não admitam

Segundo notícia do Diário de Notícias, um homem que já desempenhou funções públicas na autarquia de Coimbra alvejou sem qualquer razão aparente um cliente que estava com um grupo de amigos numa marisqueira na cidade dos estudantes. A consternação pela situação é óbvia, não se consegue perceber o que terá passado pela cabeça do agressor que já antes tinha provocado alguma confusão no mesmo estabelecimento por se encontrar "alterado".

Mas o mais caricato vem a seguir: a polícia, em vez de deter o indíviduo, que está nitidamente perturbado, apenas ficou com a sua identificação e vai "investigar". Acontece que o homem afirmou que não tinha intenção de matar ninguém e isso, aparentemente, é razão para não ser levado preso.

Ou seja, compreendo finalmente o grande crime de todos aqueles que atentam contra a dignididade e vida humana. O problema não é disparar as armas. O problema é admitir que se é um canalha.

Explica muita coisa deste país, sem dúvida.

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04/03/2008

Gorilas vermelhos e verdes

Ontem a minha mãe fez anos e fui ver o Sporting - Benfica com ela. No intervalo daquele jogo de grande qualidade, ela mudou a televisão para um canal onde dava um documentário sobre gorilas, a forma como se afeiçoam aos humanos e as coisas que aprendem a fazer, como brincar, comer à mesa, dormir numa cama, tapados com um cobertor, etc.

Passados os dez minutos do intervalo, voltámos a mudar para o futebol. Confesso que, quando o apito final soou, continuava mais impressionado com o que vi dos gorilas.

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Coisas de que gosto (I)

nunca escrevi
sou
apenas um tradutor de silêncios.

a vida
tatuou-me nos olhos
janelas
em que me transcrevo e apago

sou
um soldado
que se apaixona
pelo inimigo que vai matar.

(Mia Couto)

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03/03/2008

Os Óscares e os filmes

Ainda não coloquei nenhum post a comentar os resultados da cerimónia de atribuição dos òscares deste ano, mas a razão é simples: antes de tecer qualquer comentário, quero assistir aos principais filmes que estiveram em contenda na cerimónia e, enquanto se espera que todos cheguem aos cinemas portugueses, só agora tive acesso aos DVDs com os mesmos.

O que mais curiosidade me levanta é, claro está, "Este País não é Para Velhos" (No Country To Old Men), dos irmãos Cohen, não só por ter sido o grande vencedor da noite, mas, principalmente, pela interpretação do "nuestro hermano" Javier Barden, o primeiro espanhol a ganhar um oscar da Academia.

O seu grande adversário, "There Will Be Blood" (Haverá Sangue) também me parece interessante, mas principalmente pela curiosidade em ver a muito gabada interpretação de Daniel Day Lewis, já que o tema não me atrai particularmente.

Curiosamente, um dos filmes a estrear brevemente nas nossas salas de cinema que mais tenho curiosidade em ver não participou na cerimónia dos Óscares. Trata-se de "The Other Boleyan Girl" (Duas Irmãs, Um Rei), uma trama histórica baseada no livro homónimo da escritora Philippa Gregory, autora de uma interessante série de livros sobre a temática das mulheres na corte inglesa do passado. O filme conta com a interpreação de duas das mais talentosas e belas actrizes da actualidade, Scarlett Johanson e Natalie Portman, além de Eric Bana, que passei a admirar depois de o ver encarnar o nobre Heitor, minha personagem preferida do clássico "A Íliada", no filme "Tróia".

Para já, dos mais premiados deste ano, vi o "Juno", que ganhou o Oscar de melhor Argumento Original. Gostei muito do filme, uma comédia despretenciosa, com um ritmo muito interessante e um tema urbano e actual. A grande piada do filme, ao contrário do que acontece nas comédias que costumamos ver, não está no disparate, nem em personagens idiotas. Está na inteligência dos diálogos e na possibilidade de tudo aquilo ser real bem aqui ao nosso lado. Está de parabéns a argumentista Diablo Cody, que se estreou no cinema com este filme, depois de ter trabalho como Stripper durante um ano.

Mas, atenção: grande interpretação de Ellen Page, no lugar de Juno, a personagem principal do filme, uma jovem que fica grávida aos 16 anos, dando origem a todo o enredo. Merecedora de Oscar de Melhor Actriz pela naturalidade e inteligência da interpretação, o que me deixa ainda mais curioso para ver a interpretação da vencedora, a francesa Coutillard, em "La Vie En Rose".

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Um raro Dali

Há noites em que me perco completamente no Youtube. Começo a ver um pequeno vídeo e, depois, saltando de tema em tema, reparo com espanto que as horas passaram rapidamente e que vi e ouvi grandes momentos históricos ou culturais, revisitei momentos inesquecíveis e revi cenas espantosas com uma facilidade que, até há poucos anos, era impensável.

Numa destas minhas maratonas descobri este vídeo onde Salvador Dali é o convidado de um popular concurso americano, "What's my line", apresentado pelo inesquecível John Daly, onde os concorrentes têm que, através das perguntas que fazem a um convidado surpresa, descobrir quem a sua identidade. No caso, o convidado surpresa era nada mais nada menos do que Salvador Dali!

Escusado será dizer que é imperdível ver este grande génio da humanidade participar num momento tão descontraído como um concurso de televisão, ainda por cima num contexto com alguma piada, já que ele praticamente responde que sim a tudo, demonstrando a sua vontade de ser o mais multifacetado possível. Um grande momento em redor de Dali, o génio do surrealismo e da pintura "hiper-realista metafísica", como ele próprio a definiu. O tal homem que, nas suas últimas palavras em público referiu que "um génio não deveria nunca morrer, pois tem nas suas mãos a missão de melhorar a humanidade".

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A sondagem sobre cinema

Acabou o tempo estabelecido para mais uma sondagem aqui no "Depois da Noite". Obrigado a todos os que participaram e responderam à pergunta "Acha que o cinema português algum dia conseguirá a adesão do público nacional?"

Trinta e seis por cento dos votantes é optimista e acredita que, um dia, o cinema português conseguirá um lugar de destaque e fará as pazes com o grande público, levando com regularidade um número de espectadores ao cinema que faça com que esta arte seja auto-sustentável e independente de subsídios.

Também acredito que sim. Mas, para isso, será necessário que o cinema português consiga um difícil equilíbrio entre a qualidade artística (que desde sempre foi a preocupação única dos cineastas portugueses, ainda que nem sempre de forma feliz), a capacidade de focar temas que interessem ao grande público (longe de temas autistas) e de uma forma que contenha também alguma dose de entretenimento.

Um bom argumento, com um enredo forte, uma mensagem interessante e diálogos e personagens inteligentes, é, claro, a base de tudo isto. A seguir, o que há a melhorar é a qualidade das interpretações de alguns actores, que ainda não atingiram o patamar ideal. Quanto à produção, apesar dos meios escassos que existem em Portugal, parece-me que o nível conseguido é, no geral, muito acima do que se podia esperar.

Existem obviamente bons exemplos de filmes bem conseguidos. O meu preferido é o "Jaime", de António Pedro Vasconcelos, uma história tocante, com boas interpretações, alguns diálogos notáveis e uma banda sonora excelente. Mas existem outros bons exemplos de filmes que me parece terem alcançado uma boa qualidade, como "Adão e Eva", "Alice", "Coisa Ruim" e "Tentação", entre outros.

Quanto ao resto da sondagem, o segundo resultado mais votado foi o humorístico "Gosto é do Rambo", mostrando que para muitos o cinema ainda é apenas uma forma de entretenimento puro. E obviamente que também não há mal nisso, desde que não seja essa a única forma de fazer cinema.

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21/02/2008

"Abril"


Como disse no post anterior, este ano tem sido muito bonzinho e tem trazido até mim projectos bem interessantes. Um deles foi-me proposto pelo Bruno Simões, realizador e designer multimédia que, depois de ter feito algumas curtas de animação (ver o site dele aqui), tem estado nestes últimos anos em Londres, onde tem trabalhado na área dos efeitos especiais de filmes como "Harry Potter", "Crónicas de Narnia" e "Fred Claus". A ideia dele era fazer um filme de animação que contasse o 25 de Abril de uma forma completamente diferente: pelos olhos de uma criança.

O convite foi, obviamente, prontamente aceite. Moralizado e cheio de ideias depois da conversa inicial, o argumento foi escrito em menos de um mês. Agora, o guião já está corrigido, revisto e pronto. Segue-se a produção, processo moroso e difícil, com os frames a serem construídos do zero, um a um, o movimento dos personagens, a dobragem das vozes, enfim, todo um fascinante processo que espero ter a oportunidade de narrar à medida que forem acontecendo.

Para tomarem nota, o projecto chama-se simplesmente "Abril" e é, parece-me, embora seja suspeito, uma história comovente, que mistura a inocência típica das crianças com a força e a magia de uma época que mudou o nosso País.

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Clepsidra, Tempo e Templários

Este ano de 2008 tem sido uma boa surpresa em termos de novos projectos e propostas. E uma delas, precisamente uma das mais interessantes, aconteceu numa área em que, normalmente, não sou um "habitué", mais precisamente a música.

Convidaram-me o Bruno Oliveira e o Jorge Van Zeller para participar num interessante projecto de música clássica e dança sobre a temática do tempo, da clepsidra e dos Templários. Brevemente poderei divulgar mais informações sobre este projecto, mas por agora sou autorizado apenas a colocar aqui o link para o texto introdutório do mesmo, escrito por mim, que está no blog http://clepsydra2008.blogspot.com.

Espero que fiquem, pelo menos, curiosos sobre o projecto.

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