17/10/2007

A prosa de Hemingway


Apesar da tourada não ser uma temática que me interesse minimamente, leio "Fiesta", o segundo romance de Ernest Hemingway, autor de quem, além dos obrigatórios "Por quem os sinos dobram" e "O velho e o mar", ainda não tinha lido outro romance.

Gosto imenso da sua escrita, da extrema facilidade com as que os diálogos surgem, da fluidez das descrições, da não complicação do discurso. As personagens ganham vida porque se comportam como pessoas, porque aparecem no livro sem qualquer aparência plástica, mas sim como indivíduos com vícios, hábitos, tiques, características que os diferenciam uns dos outros, mas sem serem demasiado óbvias ou empurradas.

Admito que, às vezes, quando se escreve um romance, é difícil resistir à tentação de tentar criar personagens absolutamente únicas, com características tão diferentes das pessoas que nos rodeiam que se constituirá como uma personagem inesquecível. Mas, fora casos de enredos mais fantásticos ou mesmo com um cunho mitológico ou de extremo mistério, a verdade é que as personagens mais fantásticas são as que conseguem, sendo iguais a qualquer outro homem, têm a sua individualidade e a sua maneira única de ser. As outras, que têm características exageradas nessa ânsia de serem únicas, correm mesmo o risco de se tornarem ridículas.

Para mim, ler Hemingway não é apenas um prazer. É uma lição de como escrever, sem complicações, um bom livro e criar boas personagens.

2 comentários:

Homem do Leme disse...

é isso mesmo. Adorei o Velho e o Mar.Este ainda não li.

O Meu Confessionário da Alma disse...

Lamento todas as gaffes, antes de começar

Primeiro, está proibido Sr. Pires de parar de escrever blogs.

Segundo, como referi, adorei ler este blog, isto porque ainda me lembro de há uns anos, uns bons anos, não sei bem quantos ver um filme baseado num romance deste escritor (não me vou atrever a escrever nomes) e simplesmente tornou-se num dos filmes que mais adoro. "No amor e na guerra"

Daí, muito obrigado por ressaltares o nome do Sr.

Quanto ao facto de vires a escrever como ele, pois bem, nada do que li teu até agora me decepcionou, muito pelo contrário, adoro alguns dos teus textos, espero que um dia possa dizer este filme baseado num livro, num conto no que for de Luis Costa Pires é um dos filmes que nunca esquecerei.
E aposto que irá um dia acontecer.
Se não acontecer, não é por falta de talento (que o tens) mas porque não estava escrito, mas como sabes penso que está algures escrito.

Temperance my dear.

Nunca desistas de ti, nem de escrever. Nem que seja só um "olá, bom dia "


Opss alonguei-me
Kiss.