21/10/2007

Comprar tempo


Gonçalo M. Tavares ganhou, no Brasil, perante a concorrência de outros grandes autores, entre os quais o meu muito estimado Mia Couto, o prémio literário da Portugal Telecom que, além do prestígio lhe dá também um bom conforto económico. O prémio é merecido pois, apesar da sua juventude enquanto escritor - só publica há seis anos e já tem cerca de vinte livros nas bancas -, é realmente notável e tem um estilo único. Confesso-me um admirador das suas crónicas, que no seu estilo rápido e certeiro são extremamente provocadoras, e consegue sempre surpreender nos seus livros, quer na colecção "O Bairro", quer nos livros negros. Confesso que ainda não li "Jerusalém", a sua obra mais famosa e que lhe tem dado acesso aos maiores prémios que já ganhou, como este no Brasil, o Prémio José Saramago ou o Prémio Ler/Millenium, mas está na lista das próximas aquisições.

Mas este post tem outra função além de dar os parabéns a Gonçalo M. Tavares. Numa entrevista dada ao Correio da Manhã, na reacção à vitória nesse galardão por terras brasileiras, o autor afirma que o prémio monetário de cerca de 37 mil euros é importante não por questões de luxo ou riqueza material, mas porque lhe "compra tempo" para poder recusar outros trabalhos e concentrar-se na escrita.

Percebo perfeitamente o que quer dizer. Sempre que há uma folga no orçamento também penso isso: que bom, posso agora ficar um pouco mais concentrado naquilo que mais gosto e menos nos trabalhos que se fazem apenas para poder pagar a renda e comprar o almoço.

1 comentário:

Homem do Leme disse...

Também eu queria um pouco mais desse tempo, para poder ler e escrever...