12/02/2008

A arte de bem escrever crónicas

A arte de escrever crónicas e artigos de opinião é uma arte difícil que, admito, nem sempre consigo levar a bom porto. Principalmente porque uma das coisas mais importantes nesta arte é a necessidade de condensar em poucas linhas uma opinião inteira ou fazer ver um todo por intermédio de pequenas descrições ou de aforismos. Por vezes existe a tendência de alongar os textos para tentar explicar uma situação, noutras um pouco menos de clareza no que se quer dizer. É uma arte difícil, mas que alguns profissionais dominam com uma mestria que me deixa boquiaberto.


É por isso mesmo que tanto admiro o jornalista Ferreira Fernandes, cujas crónicas no Diário de Notícias leio religiosamente, assim como acompanho o seu percurso profissional pela Visão, pela Sábado, pela Fócus, pelo Público, enfim, por todos os bons órgãos de comunicação social deste País. Ferreira Fernandes é o exemplo perfeito de perspicácia, concisão, inteligência e sentido de humor. E, cada vez que leio as suas crónicas no Diário de Notícias que, durante a semana, não passam nunca de 10 linhas, fico encantado. Como consegue dizer sempre tanta coisa em tão pouco espaço? Para um romancista como eu, que está habituado a escrever longos enredos, esta capacidade de contenção é impressionante (provavelmente esta é a razão também pela qual me vejo com enormes dificuldades quando tento escrever um conto).

E, com a sua ironia e o toque no ângulo certo, sinto que fico mais bem informado com as suas pequeninas crónicas do que com muitas reportagens completas que leio em outros locais.

Vejam o que quero dizer aqui, nesta crónica sobre as presidenciais nos Estados Unidos da América.

2 comentários:

Homem do Leme disse...

Pois é Luís, também tu, ao escreveres neste teu blog, vais dizendo muito em poucas linhas. Continua a escrever, pois é tarefa que fazes muito bem. Eu gosto!

Higino disse...

Oh Luís experimenta escrever também para o povo por que assim já não é preciso condensar. Isto num plano meramente teórico.