11/11/2007

Adeus a Norman Mailer


Uma das correntes literárias mais curiosas que apareceram nos últimos cem anos é a "não ficção criativa", ou o "Novo Jornalismo".

Este género literário é oriundo dos Estados Unidos da América, onde autores como Norman Mailer e Truman Capote, entre outros, escreveram verdadeiras obra-primas da literatura partindo não de enredos ficionais, mas de factos reais. É o caso de "A Sangue Frio", de Truman Capote, que recentemente teve grande projecção mediática graças ao filme "Capote", que deu o óscar de melhor actor a Philip Seymour Hoffman. Neste livro, "A Sangue Frio", o autor usa a investigação intensa e as conversas que teve com um serial killer para criar uma obra perturbante que viria a mudar a face da literatura e impressionar largamente a opinião pública mundial.

Mas quero falar de Norman Mailer, que nos deixou hoje, vítima de doença renal. Raramente foi um autor pacífico, como convém a qualquer grande autor. Afinal, é a inquietude que um autor provoca no público que o consagra; autores que se limitam a contar os passos e dizer o óbvio não acrescentam nada ao mundo. No caso, infelizmente, Mailer não foi apenas um escritor provocador, mas também um homem violento no seu dia a dia, que, por diversas vezes, foi notícia pelo seu pavio curto.

Mas isso não tirará com certeza o mérito da sua obra, quer na criação do "Novo Jornalismo", com livros como "Exércitos da Noite" ou a polémica biografia que escreveu sobre Marylin Monroe, quer nos romances mais "tradicionais", de onde, pessoalmente, destaco "O Evangelho segundo o Filho", e o consagrado "Os nús e os mortos".

Quanto a mim, que gosto da sua escrita, deixo aqui esta singela homenagem, relembrando uma frase sua, inscrita precisamente no "Evangelho segundo o Filho", que usei como epígrafe para o meu terceiro romance "Mandrágora": "Pois o amor não é a vereda segura que nos conduzirá ao nosso fim, mas antes a recompensa que recebemos no termo da dura estrada que é a nossa vida e os dias da nossa vida".
Talvez seja verdade. Talvez. E se for, tê-lo-ás encontrado agora, Norman Mailer.

1 comentário:

Homem do Leme disse...

Não conheço o autor, o que me pareçe ser uma falha... Mas conheço Capote, li o livro "A Sangue Frio" muito antes da consagração cinematográfica, e é um dos estilos literários que mais gosto. Terminei há poucos dias o "Zodiac" que também se insere neste estilo.