George Steiner, em conferência na Fundação Calouste Gulbenkian, teceu considerações sobre a Europa nos dias de hoje. Falou da incapacidade de gerarmos nos dias que correm génios como Bach, Mozzart ou Platão e afirmou que a Europa está a morrer, passando o papel intelectual para os outros países em vias de crescimento.
Obviamente que concordando com parte das suas teorias e não pondo em causa a genialidade deste afamado investigador, tão premiado e conceituado em todo o mundo, parece-me que a afirmação em causa é, no mínimo, infeliz. Primeiro, que eu saiba, Mozzart ou Bach não foram grandes génios da humanidade porque tenham sido ensinados a sê-lo. Não se ensina a genialidade, ensina-se apenas a técnica. E, quanto a isso, até tenho a certeza de que existem hoje métodos de ensino artísticos muito mais avançados do que na altura em que estes génios apareceram.
E, na verdade, também não me parece que exista uma real ausência desses génios artísticos nos dias que correm, até porque é impossível comparar épocas, quando hoje existem tantas novas formas artísticas que não existem há séculos atrás. Ou não se podem considerar génios personalidades como Andrew Lloyd Webber, Tim rice, Ennio Morricone, Bjork, Dulce Pontes, Luciano Pavarotti, Monserrat Caballet, Bono Vox, Ben Kingsley, Pedro Almodovar, Roberto Benigni, Milos Forman, Wim Wenders, John Cleese, Milan Kundera, Harold Bloom, José Saramago, Harold Pinter, Dario Fo, Italo Calvino, Camilo José Cela, Agostinho da Silva, Lyotard, Derrida, entre muitos outros?
Quando aparece um génio com a lucidez e a criatividade de um Bach, ele atinge esse patamar por mérito próprio e não por influência externa. Achar que é a influência cultural exterior que faz aparecer os inovadores e pioneiros, aqueles que rompem com o que já existe, é um contrasenso.
E obviamente que hoje é mais difícil criar teorias e harmonias completamente originais. Já muito foi criado e muitos são aqueles que tentam todos os dias fazê-lo. No tempo de Mozzart ou Bach, não era assim. Apesar da sua genialidade, eles eram privilegiados que, no meio de um povo doente e inculto, tinham a possibilidade de explanar as suas criações para gáudio de todos os poucos que se dispunham a ouvi-los.
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25/10/2007
Steiner e os génios
Publicada por
Luís Costa Pires
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20:01
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