Continuo chocado e sem perceber como é possível que, ano após ano, aconteçam calamidades como a vaga de incêndios no nosso País. Quais são afinal as causas de todos estes incêndios? Falta de atenção das pessoas? Fogo posto? Mera subida do calor? Ou, como diz o Correio da Manhã hoje, falta de planeamento e de criação de planos de acção para a prevenção dos incêndios?
É muito complicado para mim perceber toda esta situação, ainda mais quando fico completamente arrasado com as imagens que nos chegam pela televisão dia após dia, do sofrimento das pessoas, dos bens perdidos, das vidas destruídas.
Lembro-me, como já tive oportunidade de referir em algumas crónicas que escrevi, que, quando em 2002, participei na Gala Nacional dos Bombeiros Voluntários com um poema escrito especificamente para a ocasião, os avisos eram muitos, as promessas de criação de planos de prevenção e aumento de fundos governamentais para o combate a este flagelo também.
No entanto, todos nos lembramos da desgraça que aconteceu no ano anterior. Neste, caminhamos para uma equivalente. Será que não há maneira de se traçar um plano realmente efectivo para, pelo menos, diminuir o problema?
Já agora, convido-os a lerem a crónica que escrevi no dia 6 de Agosto de 2003 sobre o tema, e que, infelizmente, continua a ser terrivelmente actual.
30/07/2004
Os incêndios
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28/07/2004
Visita obrigatória
O Atelier Arte e Expressão é uma associação que comemora agora quinze anos e de cuja direcção tenho a honra de ser Presidente. Muitas são as actividades culturais e sociais que levamos a cabo, e brevemente poderei colocar aqui um linque para a nova página na internet, onde poderão conhecê-la melhor.
No entanto, agora, gostava de vos convidar a visitar esta página: http://www.geocities.com/polypus2003/
Trata-se da página elaborada por jovens em risco, entre os 15 e os 21 anos, que o Atelier, através de um projecto com a colaboração da União Europeia, chamado Polypus, tenta reintegrar e formar. Visitem a página e participem nos jogos que eles criam.
É importante para saberem que a sua página é popular e que vale a pena fazer coisas construtivas. É importante o apoio de todos.
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Tempo escasso
O tempo anda escasso, entre saídas para visitar eventos, como o Mercado Medieval de Óbidos, que foi excelente e demonstra o que uma autarquia pequena pode fazer desde que tenha arrojo, imaginação e qualidade, saídas nocturnas, trabalho a dobrar para compensar o Agosto passado em férias e a obrigatória quota de horas dispensada para os amigos e família.
Mas prometo compensar aqueles que, teimosamente, ainda vão visitando esta página para ler os meus posts. É só mais dois ou três dias e terei outra vez disponibilidade consonante com a necessidade de um blogue pessoal.
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18/07/2004
Agustina
Mais vale tarde do que nunca. Leio a entrevista que Agustina Bessa-Luís deu ao Público e à Renascença e retenho um excerto que gostaria de partilhar.
"Lembro-me do meu irmão dizer, quando comecei a escrever, que se estivesse na América seria rapidamente célebre. E eu dizia que felizmente isso não acontece. Porque é muito importante a dificuldade. É preciso sentir que não é fácil escrever - como não é, de resto, fácil viver. O [escritor] Ferreira de Castro dizia que era preciso ter cuidado com o êxito fácil. E é um bom conselho. "
É, de facto, um óptimo conselho para qualquer momento da vida.
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16/07/2004
Barrabás
Muitos dias de ausência por excesso de afazeres e alguma falta de inspiração para posts curtos. Pelo meio, o recomeço de um romance que estava parado a meio há mais tempo do que devia, e o regresso à leitura de bons romances.
Reconciliado com a leitura (há alguns meses que simplesmente não me conseguia concentrar em qualquer livro), em dez dias, três excelentes obras, que todas aconselho: "A Cartuxa de Parma", de Stendhal, "Barrabás", de Par Lagerkvist, e "Seara de Vento", de Manuel da Fonseca.
"Barrabás", particularmente, é impressionante. Lagerkvist conseguiu encarnar na personagem bíblica, neste criminoso que foi libertado da cruz para que Jesus fosse crucificado, toda a humanidade, os seus anseios, as dúvidas, a vontade de ter fé e de acreditar, os medos, as fraquezas e as forças. Barrabás é uma personagem fascinante, com o seu drama cruel de tentar perceber por que razão é que a justiça o libertou, sendo culpado de vários crimes, deixando um homem inocente, que pregava o amor e a paz, ser castigado. Sempre tive vontade de me debruçar sobre esta figura para um romance. Mas, agora, depois de ler este livro, percebo que não vale a pena. Não poderia nunca criar uma obra que dignificasse mais a excelência desta figura do que a que acabei de ler.
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03/07/2004
Sophia
Não há nada a fazer quando a morte chama o nome dos Homens. Não há nada que se possa fazer para impedir essa viagem, dolorosa para os que ficam, incógnita para os que partem.
Sophia de Mello Breynner Andresen foi chamada e deixou mais pobre um País que, ainda que pouco dado à leitura e poesia, sabia reconhecer o seu talento, a forma límpida como escrevia a natureza e o amor, a magia das crianças e as pequenas coisas do dia a dia.
É sempre fácil fazer homenagens quando alguém parte. Nessas alturas, todos são recordados pelo bem e pelo talento. No meu caso, sinto-me absolvido. Prestei-lhe homenagem cada vez que me emocionei com os seus poemas. E, mais singelamente na altura, mas agora de uma importância acrescida, quando dei o seu nome a uma gata branca e de olhar azul e sonhador que veio parar a minha casa.
E essa ainda aqui está, ao meu lado, deitada confortavelmente a dormir, como se lhe nascesse no sonho algum novo poema.
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01/07/2004
PP
É impressão minha ou ninguém ficou espantado com o facto de, no meio de toda esta polémica com a saída de Durão Barroso para a Europa, o Partido Popular, normalmente tão inflamado e crítico, apoiar sem reservas qualquer decisão do PSD a respeito da sucessão do ex-primeiro-ministro?
O que alguns lugares no Governo não fazem...
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A universalidade de Portugal
A coisa bonita de ser português é esta universalidade que nos acompanha. Neste momento, quase todo o mundo, incluindo os adeptos dos países que foram eliminados por Portugal, estão a torcer pela nossa vitória na final do Europeu.
As manifestações de alegria e os festejos no Brasil, em Timor, em Moçambique, em Angola, as crianças holandesas que gritavam por Portugal no final do encontro, tudo isso demonstra bem essa magia que acompanhou sempre o nosso povo ao longo das eras.
Nunca fomos conquistadores nem guerreiros. Fomos sempre colonizadores e companheiros de cultura e vida, pelo que não temos inimigos nem vendettas. E essa universalidade está também patente na criatividade que nos acompanha, que choca muito com a eficiência e método que a vida por vezes exige, mas que é a maior de todas as qualidades, se for utilizada com confiança e sem complexos.
Seria tão bom que esta fase de optimismo, de alegria e de confiança na nossa genialidade enquanto povo não terminasse com o euro, com o seu sucesso desportivo e organizativo. Que se mantenha sempre.
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28/06/2004
Durão na Europa
Compreendo que os portugueses estejam indignados com a partida de Durão Barroso para a Europa, até porque a alternativa apresentada para primeiro-ministro português é Pedro Santana Lopes (que assim sobe mais um degrau na sua escada do poder).
No entanto, olhando para trás e para a governação feita até agora, Portugal só pode ganhar com a saída de Durão. Primeiro, ganhamos uma voz importante na União Europeia e mais poder dentro da organização, ainda que a reboque da administração Bush e dos favores que fez a todo esse eixo de poder. Segundo, sem Barroso, haverá uma remodelação grande no Governo, que nunca poderá mudar para pior.
A saída de Durão só representa uma coisa: Afinal o PPD-PSD não mentiu. A retoma está mesmo a começar.
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24/06/2004
A loucura de Portugal
Finalmente o que se espera dos portugueses. Uma atitude fantástica, uma luz enorme.
Não vou falar do jogo, que foi brilhante. Não vou falar do golo de Rui Costa, que vale um Europeu inteiro.
Falo apenas da loucura. Portugal ganhou o jogo porque se relembrou do poder da loucura. Postiga, em pressão insuportável, em vez de marcar um penalty de maneira normal, picou a bola para um golo de belo efeito, mas de grande risco, que poderia crucificá-lo, caso falhasse, que podia colocar um país inteiro em lágrimas. A seguir, Ricardo tirou as luvas para defender a bola, numa atitude de louca determinação. E conseguiu. Depois, quis ser ele a marcar e deu a vitória a Portugal.
A loucura é o caminho do Português, o divino improviso, a genialidade, a ligação com o que não pode ser explicado. Assim, Portugal não poderá perder nunca. Da mesma maneira que, no passado, não perdeu batalhas em que estava em grande inferioridade numérica. Da mesma maneira que, munido de alguns marinheiros e barcos, resolveu andar pelos perigosos mares e descobriu novos mundos. A genialidade da loucura é o trunfo de Portugal e é preciso assumi-lo.
É que não se pode perder nunca aquele que não sabe qual o caminho a seguir.
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21/06/2004
Considerações
Agora, com mais calma, penso na vitória portuguesa sobre a Espanha e chego a algumas conclusões.
- Temos que agradecer parte da vitória ao nosso agente infiltrado, Carlos Queirós. Fez um excelente trabalho em Madrid, ao destruir a equipa galática do Real, desmoralizando assim os seus atletas, que foram achincalhados e humilhados pela comunicação social espanhola e mundial. Curiosamente, o único jogador do Real que escapou às críticas foi Figo. De resto, bem se viu, por exemplo, a sombra que Raul, eventualmente o melhor avançado do mundo, foi de si próprio neste Europeu. Em compensação, José António Camacho, não percebendo o duelo ibérico, chegou a Portugal e devolveu a mística ao Benfica, ajudando a que, por exemplo, Nuno Gomes estivesse confiante e moralizado no momento em que desferiu o golpe mortal no peito espanhol.
- A eliminação da Espanha acaba por ser algo prejudicial em termos económicos, pois os milhares de turistas espanhóis irão, com certeza, para casa, e não deixarão, com toda a certeza, os seus euros por cá. No entanto, temos mesmo é que rezar para que não nos calhe a Inglaterra na próxima ronda. Porque, já se sabe, iríamos "marchar contra os canhões", dar uma coça nos ingleses e enviá-los para casa e, com isso, perderíamos os muitos milhares de euros que a Sra. Beckham gasta por cada dia que passa em Portugal. E, numa altura em que estamos tão necessitados de verbas que nos permitam aumentar o PIB nacional, não podemos perder a sua estadia no nosso País. É que Vitória Beckham, sozinha, vale por muitos espanhóis. Com ou sem dinheiro, obviamente.
-
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20/06/2004
Até que enfim
Agora sim, Portugal mostrou qualidade. Foi um bom jogo da equipa das quinas frente à Espanha. Ricardo Carvalho e Nuno Valente foram enormes e mostraram por que razão foram campões europeus pelo Futebol Clube do Porto. No meio campo, Deco, Figo e Cristiano Ronaldo jogaram a grande nível. Figo finalmente arrancou uma grande exibição neste europeu. Maniche surpreendeu-me pela intensidade com que encarou o jogo, pela disponibilidade.
No ataque, já se sabe. Nuno Gomes é melhor que Pauleta, joga mais para o colectivo e é mais inteligente. Tinha sido outra das grandes sugestões que eu fiz após o jogo com a Grécia. Assim temos uma equipa.
Tivemos alguma sorte, é verdade. Os espanhóis enviaram duas bolas ao poste. Mas Portugal também teve boas oportunidades para aumentar a vantagem, que poderiam ter aumentado ainda mais a vergonha espanhola.
Mas os falhanços, assim como os golos, são coisas do futebol. E agora só há uma coisa realmente importante para dizer: Viva Portugal!
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16/06/2004
Esperança de estar errado
Depois da derrota com a Grécia, escrevi um post impiedoso sobre a selecção. Porque fiquei magoado, porque vi erros, porque partilhei da dor de um País que esperava um pouco de alegria. E que a merecia.
Mas agora, a poucas horas do jogo com a Rússia, quase que me esqueci do que aconteceu naquele jogo. E só passaram 3 dias desde então.
Agora já não me lembro da Grécia, nem dos erros infantis da equipa portuguesa. Só espero que os jogadores nacionais me façam engolir tudo o que escrevi há três dias. Que o Paulo Ferreira mostre que é um jogador de grande classe e que o Pauleta marque dois golos.
Espero ter errado. Tenho esperanças de que venha a ter que pedir desculpas pelas minhas palavras.
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Eleições
Evitei fazer comentários aos resultados eleitorais do passado domingo. Há muitos especialistas a fazê-lo. No entanto, agora que já passaram alguns dias, posso congratular-me com o resultado. O PSD foi castigado sim. Não vale a pena falar dos dias de praia, do 10 de Junho ou do Euro. A abstenção pode ter sido grande, o que é pena e vergonhoso, mas os que votaram não deixam de saber o que estão a fazer. A coligação tem feito um mau trabalho à frente do País e os portugueses estão fartos.
Não foi apenas um resultado de europeias. De certeza que o actual governo será penalizado nas próximas legislativas.
E atenção ao Bloco de Esquerda. Não me admiro nada que, nas próximas eleições, atinja os seis ou sete por cento dos votos.
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12/06/2004
Vergonha
Não concordo quando ouço dizer que os jogadores portugueses tiveram uma excelente atitude no primeiro encontro do Europeu. O pressing final é perfeitamente natural. Mal seria se uma equipa, a perder, ainda por cima em casa e num Europeu, não tentasse dar a volta ao resultado que lhe é adverso. Para mim, a atitude não se vê nesses momentos. Vê-se na concentração, na coragem, na forma como os jogadores encaram o encontro desde o primeiro minuto.
A equipa portuguesa jogou muito mal e a Grécia foi uma mais que justa vencedora, porque defendeu muito bem, correu mais, demonstrou mais força e mais concentração. No entanto, há que perceber que o descalabro colectivo, por vezes, nasce de erros individuais. E, neste caso, Paulo Ferreira foi o grande responsável pelo primeiro golo da Grécia e, consequentemente, por tudo o que se passou a seguir, pela desconcentração e nervosismo nacionais. Por muito que possa parecer cruel falar de erros individuais, a verdade é esta e não se pode admitir que um jogador campeão da europa, com a experiência do lateral direito português cometa um erro daqueles.
De resto, Pauleta só tem jogado bem em jogos particulares, onde marca golos a rodos. Figo só sabe fazer jogadas individuais. Maniche não demonstrou qualidade para alinhar de início contra equipas com um meio campo tão fechado, pois fechar o meio-campo não é a sua especialidade, mas sim a transição para o ataque. Petit teria sido a escolha óbvia para suster o meio campo e o contra-ataque da Grécia.
Enfim. Desta vez os portugueses não merecem isto. Apoiaram a equipa, encheram as casas e as ruas de bandeiras nacionais. Receberam os estrangeiros como deve ser. Construiram novos estádios em tempo recorde. No entanto, além de Cristiano Ronaldo, apenas Deco, que até é brasileiro, pareceram lutar com vontade pela selecção.
Agora, como sempre, lá estamos na corda bamba. Contra a Rússia é possível que Portugal consiga vencer. Contra a Espanha... contra a Espanha será preciso quase um milagre, porque é, claramente, a melhor equipa do grupo. É claro que ainda tudo é possível, mas as hipóteses são mínimas.
Somos sempre assim. Como diria Fernando Pessoa, que conhecia o espírito português como ninguém, “Quem te sagrou criou-te português / Do mar e nós em ti nos deu sinal. / Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal!”.
É sempre assim. Falta sempre cumprir-se Portugal.
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10/06/2004
Patriotismo
Há muita gente que fala mal do futebol, dos futebolistas, de quem gosta de ver os jogos, de quem lê jornais desportivos, etc. No entanto, sei que, agora, em cada rua por onde ando, vejo bandeiras portuguesas espalhadas por todo o lado.
Tal não acontece por mais nenhuma outra razão, senão pelo Europeu de Futebol e pelo apoio à selecção.
Também preferia que houvesse outra razão que o explicasse, que fizesse os portugueses orgulhosos de si próprios. Mas o que me importa mesmo é saber que os portugueses recomeçam a valorizar a sua nação, a sua bandeira. Que volta a existir um sentido de nacionalidade, de patriotismo.
Isso é muito mais importante do que qualquer crítica que se faça.
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08/06/2004
Votar
Um professor dedicado à filosofia, chamado Francisco Trindade envia-me, há já alguns meses, emails a anunciar novos textos no seu site pessoal, afirmando-se seguidor de Proudhon, um pensador francês do século XIX.
Obviamente que, quando o tema me interessa, costumo ler os seus textos. Mas, o último que me enviou deixou-me bastante preocupado. Nesse texto, Francisco Trindade defende a abstenção nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, por considerar que votar "mesmo que em branco, implica acreditar no sistema vigente. Implica participar no sistema. Participando no sistema estamos a apoiá-lo. Ao votar estamos a apoiar os governos, a guerra, a miséria, a desigualdade social (...) Ao não votar nas eleições para o Parlamento Europeu Burguês, fazendo-o de forma consciente, estamos a desacreditar o sistema. Se ainda acredita na liberdade de cada um e no respeito de todos, não vote!"
Sinceramente, choca-me o que li. Não votar não é desacreditar o sistema, é fugir às responsabilidades, é dizer que não se interessa, é perder o direito moral de reclamar, uma vez que se recusa também o direito e o dever de escolher e cumprir parte do dever cívico. Quem não concorda com o "sistema democrático" vigente, tem bom remédio: lutar para que ele mude. E isso pode ser feito nesta época. Através da colaboração em projectos sociais, educacionais e cívicos, através de associações, cooperativas, sindicatos, grupos, através da escrita, da arte, do jornalismo. Através da solidariedade, da fraternidade, da cooperação. Não é necessário adoptar posturas marginais. As sociedades mudam-se por dentro, não por fora.
Se pouca gente participa de facto na vida da sociedade não é porque não existam meios para o fazer. É porque as pessoas são preguiçosas e egoístas, porque preferem falar mal do estado das coisas no café e, depois, ir para casa ver os "Malucos do Riso", ou, então, citar teorias, filósofos e ideais, sem colocar nada realmente em prática.
A sociedade não se muda com teorias. Muda-se com actos. Votar é apenas um deles, se calhar o menos importante deles. Mas é o único que, ainda assim, faz sentido À maior parte das pessoas que vivem adormecidas. Se também esse acto ficar desacreditado, então caminhamos definitivamente para o abismo.
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01/06/2004
Sistema
Dias da Cunha, presidente da SAD do Sporting, em mais uma brilhante entrevista, afirma que o sistema está disposto a derrubá-lo.
Não sabia que a comunidade médica tinha arranjado agora outra denominação para a esquizofrenia.
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28/05/2004
Não sou deste mundo
No programa da RTP sobre o Euro 2004, o apresentador dispara esta frase fantástica: "E agora vamos falar da dúvida que todos têm. Como vai ser a vida sexual dos jogadores da selecção portugal durante o euro?"
Não sei se disse a verdade e este é um assunto que interessa a toda a gente, mas, a mim, juro que não. Se calhar não sou deste mundo, ou então não sou tão liberal e amante dos prazeres do sexo como pensava que era.
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26/05/2004
Campeões
O Futebol Clube do Porto venceu a Liga dos Campeões.
Sou benfiquista e sei que isto foi apenas futebol, algo que não é realmente importante para a humanidade, sei que os jogadores ganham rios de dinheiro, enquanto milhões de pessoas passam fome.
Então, por que razão é que, desde que o Porto se sagrou campeão europeu, eu não consigo tirar este sorriso da cara, nem impedir que esta lágrima teimosa de alegria me caia pelo rosto?
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